Nunca o tema acessibilidade e inclusão social estiveram tão presentes em nossas mentes, vidas, nas tomadas de decisões.
Há bem pouco tempo, não existia uma iniciativa efetiva da sociedade ou políticas públicas para a inclusão dessas pessoas com deficiência no âmbito social ou de trabalho. Eram excluídas descaradamente, tratadas com desprezo e muito preconceito.
Nem sempre a falta de mobilidade de um membro, ou a falta de alguns dos nossos cinco sentidos nos privam de uma capacidade infinita de ter certas habilidades. Parece clichê, muitas vezes pessoas com algum tipo de deficiência desenvolve talentos intensos para demonstrar sua capacidade ao mundo, muito mais do que são capazes, são dedicados e extremamente inteligentes, sempre se reinventam e não deixam a desejar nas expectativas.
No entanto, o sucesso veio com a atriz Aline Moraes, interpretando recentemente a cadeirante Luciana, na novela Viver a Vida, de Manoel Carlos. Uma modelo jovem e rica, que após um acidente fica tetraplégica. A princípio, a reação da personagem em saber que muitos dos seus sonhos não seriam realizados a tornou frustrada. No decorrer de cada capítulo, veio a superação brilhante. Transformar a dor em algo positivo pode parecer sublimação do sofrimento, mas é uma alternativa para se atingir os objetivos desejados. A personagem foi brilhante em querer viver na pele as dificuldades enfrentadas pelos cadeirante como, calçadas não adaptadas, banheiros sem as condições necessárias, transporte público e a falta de consideração e compaixão daqueles que podiam auxiliar, mas preferem e acreditam ser mais cômodo tirar o corpo fora, vivemos numa sociedade cega e hipócrita a dor alheia!
Quem não se lembra da cantora Cátia, fez sucesso nos anos 80 interpretando grandes músicas. Fez duetos com muitos outros cantores de sucesso, como Roberto Carlos. Para quem não se recorda, Cátia era uma cantora cega. Sua voz não desafinou por causa disso, muito pelo contrário, até hoje canta os mesmos acordes afinadíssimos.
Admiro o espaço televisivo que incentiva esse tipo de inclusão. Afinal, não é por que existe deficiência que não haverá sonhos e talentos a serem mostrados.
Quantos deficientes pitam, tocam instrumentos, dirigem, possuem uma vida totalmente independente.
Trabalhei com uma arquiteta surda!
O que me motivou ser assistente dela foi à determinação e história sua de vida. Ela ficou surda aos dezenove anos. Após uma discussão com o marido, ela disse que preferia ser surda a ouvir o que ela dizia. Não deu outra, no dia seguinte não ouvia mais nada. Essa arquiteta conta que o ponto mais crítico em se dar conta que não escutava nada, era não poder ouvir o choro de sua filha recém nascida.
As pessoas mais próximas não percebem que ela é surda, sua dicção é perfeita, faz leitura labial e desempenha um trabalho de decoração com muito capricho.
Sua determinação é tamanha, que hoje ela recuperou parte de sua audição por meio de um aparelho desenvolvido por médicos da USP.
A reação dela quando alguém diz algo que a desagrade é simplesmente desligar o aparelho!
Difícil compreender em que momento dentro da história de nossa sociedade foi estipulando certas diferenças. Vejo isso como um problema histórico muito grave. Nascemos presos entre dogmas e discriminações. Pergunto-me, quando morrermos não vamos para o mesmo buraco?! Parece chulo pensar dessa forma, mas é a realidade!
Ter amor ao próximo é demonstrarmos amor a nós mesmos, não sabemos o nosso dia de amanhã, a vida é tão chia de situações imprevisíveis e lições.
Muito do que ainda é feito hoje por pessoas deficientes, visam apenas o estato político, para depois ser veiculado em propagandas eleitorais. Ainda é feito com descaso, pouca vontade, sem atingir aqueles que necessitam mesmo desses recursos.
A inclusão deve partir de uma nova consciência, devemos enxergar uma nova realidade, livres de discriminações, melhorar o respeito e a diversidade. Promover a integração social é a melhor opção. Deve começar desde cedo, nas escolas. Lembro que quando comecei a estudar, podia contar nos dedos quantos deficientes estavam matriculados na escola, na minha sala não tinha nenhum. Uma educação especializada e focada nesse tipo de necessidades, inserir esses pequenos com dificuldades na sociedade para que desde crianças já se sintam acolhidos e incluídos nesse meio.
Tornar o ambiente mais acessível eliminando as barreiras sociais. Melhorando o ambiente físico, atenuando as limitações. São pequenas atitudes como o de manter a mente e corações abertos para tornar o ambiente de trabalho e social mais humanizado.
Tudo se começa na base, as escolas e meios de transportes devem ser a prioridade no momento.
ResponderExcluirCom a Copa 2014 e Olimpiadas 2016 teremos apenas uma maquiada para o acesso de deficientes. Será em lugares visíveis para os turistas pensarem "nesse país existe algo sendo feito" e as escolas? Pobre escolas que nunce vêem nada!
Parabéns pelo Blog!
O Blog esta excelente. Não deixe de postar novos textos informativos e preventivos.Parabéns!
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